Tribunal do Egito retira antiga estrela do futebol da lista de "terroristas"

Aboutrika no Campeonato do Mundo de Clubes, em 2021
Aboutrika no Campeonato do Mundo de Clubes, em 2021KARIM JAAFAR/AFP

O Tribunal de Cassação do Egito anulou a inclusão da antiga estrela do futebol Mohamed Aboutrika e na lista de "terroristas" de mais de 1.500 outras pessoas elaborada devido às suas alegadas ligações à Irmandade Muçulmana, uma organização proibida, disse um advogado no sábado.

"O Tribunal de Cassação ouviu os nossos argumentos e anulou a decisão relativa à inclusão dos nossos clientes na lista de terroristas", declarou à AFP Khaled Ali, advogado especializado em direitos humanos. "A decisão do tribunal penal foi anulada e uma nova câmara será nomeada para reexaminar o caso", acrescentou.

Em janeiro de 2017, um tribunal penal do Cairo decidiu colocar o nome do jogador, bicampeão africano com o Egito em 2006 e 2008 e eleito jogador africano do ano em quatro ocasiões, na lista dos "terroristas", acusando-o de financiar a Irmandade Muçulmana, classificada no final de 2013 como "organização terrorista" no Egito.

O jogador tinha apoiado publicamente o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, nas eleições presidenciais de 2012. Morsi, o primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, foi deposto em 2013 pelo exército liderado na altura pelo general Abdel Fattah al-Sissi, atual chefe de Estado.

Em 2021, o Tribunal de Cassação confirmou a extensão por dois anos do registo de 1.529 pessoas nestas listas, incluindo Aboutrika, e dirigentes da Irmandade Muçulmana e respetivos filhos. Nos termos da lei antiterrorista adotada em 2015, qualquer pessoa suspeita de "terrorismo" é proibida de sair do país, o seu passaporte é retirado e os seus bens são congelados.

Ainda muito popular no seu país, Mohamed Aboutrika, 45 anos, está atualmente no Catar a comentar jogos de futebol para um reconhecido canal de televisão.

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