"O Tribunal de Cassação ouviu os nossos argumentos e anulou a decisão relativa à inclusão dos nossos clientes na lista de terroristas", declarou à AFP Khaled Ali, advogado especializado em direitos humanos. "A decisão do tribunal penal foi anulada e uma nova câmara será nomeada para reexaminar o caso", acrescentou.
Em janeiro de 2017, um tribunal penal do Cairo decidiu colocar o nome do jogador, bicampeão africano com o Egito em 2006 e 2008 e eleito jogador africano do ano em quatro ocasiões, na lista dos "terroristas", acusando-o de financiar a Irmandade Muçulmana, classificada no final de 2013 como "organização terrorista" no Egito.
O jogador tinha apoiado publicamente o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, nas eleições presidenciais de 2012. Morsi, o primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, foi deposto em 2013 pelo exército liderado na altura pelo general Abdel Fattah al-Sissi, atual chefe de Estado.
Em 2021, o Tribunal de Cassação confirmou a extensão por dois anos do registo de 1.529 pessoas nestas listas, incluindo Aboutrika, e dirigentes da Irmandade Muçulmana e respetivos filhos. Nos termos da lei antiterrorista adotada em 2015, qualquer pessoa suspeita de "terrorismo" é proibida de sair do país, o seu passaporte é retirado e os seus bens são congelados.
Ainda muito popular no seu país, Mohamed Aboutrika, 45 anos, está atualmente no Catar a comentar jogos de futebol para um reconhecido canal de televisão.
