Reveja aqui as principais incidências da partida

A missão estava cumprida. O FC Porto entrou na Vila das Aves por uma guarda de honra do AFS, num sinal de respeito entre os opostos que se encontravam nesta 33.ª jornada da Liga Portugal. O campeão nacional visitou o terreno do último classificado já despromovido.
Ainda à procura de alcançar a pontuação recorde dos 91 pontos, Farioli prometeu concentração máxima, mas entrou com uma equipa descaracterizada. Cláudio Ramos e Prpic estreavam-se como titulares na Liga Portugal esta temporada, num onze em que talvez Alberto Costa, Alan Varela e Pepê entrem naquilo que podemos considerar o onze ideal. Bednarek, que passou por um momento complicado com o assalto a casa, ficou fora da ficha de jogo.
Um primeiro sinal da ressaca de campeão que parecia desafiar toda uma época baseada na lógica fria de quem rodava jogadores com papel e esquadro de forma a assegurar o troféu. E quem aproveitou foi o AFS. Já confirmado na próxima edição da Liga 2, a equipa da Vila das Aves tem aproveitado ao máximo esta última exposição aos holofotes da elite. Empatou o Sporting e agora queria bater o pé a mais um grande.
Numa tarde que contrariou todo o tipo de lógica, o FC Porto começou por sofrer de canto, uma das armas durante toda a temporada. Tunde bateu na direita, Cláudio Ramos afastou como conseguiu, Gül não completou o alívio e Roni aproveitou à entrada da área para rematar para o fundo das redes. 25.º golo do AFS, que assim entregou ao Tondela o título de pior ataque.
O FC Porto pareceu atordoado, sempre com muitas dificuldades em ligar jogo. Natural numa equipa a ressacar da festa e com peças que raramente se encontraram em campo. Ainda assim, foi o suficiente para chegar ao empate no início do primeiro tempo, quando Prpic isolou Borja Sainz e o espanhol picou por cima de Adriel e viu Gül roubar-lhe o golo com um toque antes da bola passar a linha.
Nem deu tempo para construir em cima do empate. Roni apanhou a bola à entrada da área e disparou um autêntico míssil que só parou no fundo das redes. Um médio defensivo a bisar, novamente a contrariar a lógica.
William Gomes e Froholdt – acompanhados de Tiago Silva que juntou o título nacional ao de juniores – vieram tentar reanimar o campeão. O FC Porto carregou, mas Adriel agigantou-se, segurou a equipa e permitiu que a surpresa fosse ainda maior quando Aderllan Santos foi lá acima após um livre e antecipou-se a Cláudio Ramos.
A noite não foi do FC Porto. Terminou reduzido a 10 pela expulsão de Prpic e o semblante carregado de André Villas-Boas na tribuna indicava um estado de espírito que nem os cânticos de campeão vindos da bancada escondiam perante a segunda derrota nesta edição da Liga Portugal e a primeira vez que sofreu três golos no campeonato.
Depois da festa, o dragão não encontrou comprimido para a ressaca.
Homem do jogo Flashscore: Roni (AFS)

