Recorde as incidências do encontro
Para tirar bilhete para Istambul era preciso passar na Floresta Negra. A vantagem mínima dava ao SC Braga alguma confiança no apuramento, mas há uma espécie de magia a proteger o Friburgo em casa. A equipa alemã só tinha perdido três vezes antes da visita dos minhotos e apostava em novo encantamento para voltar a fazer história nas competições europeias.

Dorgeles dá, Dorgeles tira
Apesar de ter marcado perto do final da partida em Braga, Carlos Vicens viajou para a Alemanha com dores de cabeça. Victor Gómez recuperou a tempo e não só foi titular como acabou por ser dos melhores dos arsenalistas, mas Ricardo Horta foi mesmo obrigado a começar no banco. Dorgeles, que tinha sido herói na Pedreira, ao marcar o golo que ditou a vantagem bracarense, ocupou o lugar do capitão, mas demorou menos de seis minutos a virar vilão.
Matanovic trabalhou bem sobre a defesa do SC Braga e lançou Beste, que, tal como na primeira mão, voltou a isolar-se na cara de Hornicek. Antes que o ex-Benfica chegasse à área, foi travado em falta. Dorgeles viu vermelho e lançou um feitiço sobre toda a equipa, obrigada a proteger a vantagem com apenas 10 jogadores.
No marcador, prevalecia ainda a margem mínima a favor do conjunto português, mas parecia mesmo haver uma maldição a pairar sobre o conjunto de Carlos Vicens, que ainda não tinha permitido qualquer remate à baliza de Hornicek quando Gorby tentou aliviar na grande área, a bola bateu em Kübler (19') e entrou na baliza portuguesa depois de tocar no poste.
A maldição da Floresta Negra
Depois de ver a eliminatória igualada, o SC Braga tentou correr para voltar a ter bola, mas quando a equipa de Vicens fica sem aquilo que mais gosta, o jogo torna-se difícil. O Friburgo deixou de sentir a necessidade de fazer um sprint atrás do prejuízo e sabia que bastava fazer mexer a bola para desgastar a já condicionada equipa arsenalista.

A percentagem invulgar de posse de bola do SC Braga explicava-se pela decisão infantil de Dorgeles. Vicens ainda fez os seus retoques e melhorou a equipa com a troca posicional de Pau Victor e Zalazar, mas a maldição da primeira parte ainda trouxe mais más notícias. Manzambi (42'), o melhor do lado do Friburgo, viu a defesa do SC Braga a recuar cada vez mais e Zalazar facilitar na marcação antes de fazer um golaço, sem hipóteses para Hornicek.
A igualdade na eliminatória até podia ter sido reposta logo a seguir, mas numa primeira parte tão azarada é claro que o remate de Victor Gómez (45'+1), lançado por Pau Víctor, bateu no poste da baliza de Atubolu.
O início da segunda parte deu a ideia que a maldição podia estar na baliza, depois de Grifo (47') também acertar no poste da baliza de Hornicek, mas há muito tinha deixado de ser uma questão de sorte ou azar.
O SC Braga, sem forças e ideias para contrariar a inferioridade numérica, não conseguiu acercar-se da baliza de Atubolu e só continuou agarrado à final de Istambul graças às intervenções de Hornicek, que brilhou em dose dupla depois de Moutinho (69') ameaçar o 2-1 num remate em arco.

No entanto, nem o Petr Cech da Pedreira foi capaz de evitar o 3-0, que surgiu da cabeça de Kübler (72') e confirmou a primeira presença do Friburgo numa final europeia. Pau Victor (79'), de cabeça após lance estudado, ainda deu esperança ao SC Braga, mas o golo do espanhol não foi suficiente para devolver os arsenalistas ao jogo decisivo, 15 anos depois. Foi um trajeto quase perfeito. Quase...
Homem do jogo Flashscore: Lukas Kübler (Friburgo)
